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RATOS: Porque alguns DJs sentem dor de cotovelo ao ver quem está no topo, mas não trabalham nem investem em si mesmos para crescer

  • Foto do escritor: Mega Funk News
    Mega Funk News
  • 4 de jan.
  • 3 min de leitura

Em toda cena musical existe um contraste silencioso que poucos gostam de admitir. De um lado, artistas que passam anos estudando, produzindo, errando, investindo dinheiro, tempo e energia para construir uma identidade própria. Do outro, DJs que observam esse processo à distância, consumidos por uma sensação constante de injustiça, como se o sucesso alheio fosse um privilégio imerecido. É nesse ponto que nasce a chamada dor de cotovelo — não como crítica construtiva, mas como ressentimento.


Na maior parte das vezes, essa dor não vem da música, mas da comparação. Muitos desses DJs não possuem identidade própria, não desenvolveram um som autoral, não construíram uma narrativa artística consistente. Seus sets são genéricos, suas escolhas musicais seguem tendências sem personalidade e sua presença na cena depende mais de oportunidades ocasionais do que de mérito artístico. Ainda assim, exigem reconhecimento imediato, como se ele fosse um direito, não uma consequência.


O problema é que reconhecimento não nasce do desejo, mas do trabalho. Crescer na música exige dedicação diária, investimento financeiro, estudo técnico e, principalmente, paciência. Produzir música, por exemplo, é um processo longo, solitário e frustrante. Exige aprender ferramentas, errar inúmeras vezes, ouvir críticas e refazer caminhos. Muitos não estão dispostos a passar por essa fase invisível. Preferem observar quem já chegou lá e questionar o resultado, em vez de questionar a própria ausência de esforço.


Quando um colega que se dedica começa a ocupar o topo, a reação não é admiração, mas incômodo. Surge a narrativa de que “deu sorte”, “teve ajuda”, “o mercado é injusto” ou “o público não entende de música”. Essas frases funcionam como mecanismos de defesa emocional. São formas de aliviar a frustração de não estar onde gostaria, sem precisar encarar a realidade de que faltou comprometimento.


Existe também uma recusa em investir em si mesmo. Equipamentos, cursos, tempo de estúdio, lançamentos e identidade visual exigem recursos. Muitos querem colher os frutos sem plantar. Esperam convites, oportunidades e visibilidade, mas não criam nada que justifique isso. Querem aplauso sem obra, palco sem repertório, reconhecimento sem entrega. Quando veem alguém que investiu e agora colhe resultados, o sentimento que surge não é inspiração, mas inveja.


Essa dor de cotovelo se intensifica porque o sucesso alheio funciona como um espelho. Ele escancara o que poderia ter sido feito e não foi. Cada show lotado de um colega dedicado lembra o tempo que foi desperdiçado reclamando, criticando ou esperando que alguém abrisse uma porta. E admitir isso dói. É mais fácil atacar quem está no topo do que assumir a própria estagnação.


Enquanto alguns gastam energia observando, comentando e diminuindo, outros estão ocupados demais criando. Estão no estúdio quando ninguém vê, ajustando detalhes que poucos percebem, investindo sem garantia de retorno imediato. É esse acúmulo de esforço invisível que, em algum momento, se transforma em destaque visível. O topo não surge do nada; ele é construído muito antes de ser notado.


No fim, a dor de cotovelo diz mais sobre quem sente do que sobre quem é alvo. Ela revela falta de identidade, de disciplina e de responsabilidade com a própria carreira. Porque quem realmente trabalha não tem tempo de invejar. Está ocupado demais evoluindo. E quem constrói algo próprio entende que o sucesso do outro não impede o seu — apenas mostra que o caminho existe para quem decide, de fato, percorrê-lo.



 
 
 

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