top of page

POLÊMICA: Por que artistas do mega funk não fazem stories chamando público e ignoram o básico da divulgação do seu evento

  • Foto do escritor: Mega Funk News
    Mega Funk News
  • 5 de mar.
  • 4 min de leitura

O mercado da música vive um momento curioso e, para muitos produtores e contratantes, até contraditório. Enquanto a internet abriu inúmeras portas para artistas se promoverem de forma direta e gratuita, algo extremamente básico ainda parece ser ignorado por boa parte deles: divulgar o próprio evento nas redes sociais. Dentro da cena do mega funk, mas também em outros gêneros musicais, cresce uma reclamação silenciosa entre produtores de eventos sobre a dificuldade de conseguir algo simples — um story chamando o público para a festa em que o artista foi contratado para tocar.


A polêmica surge justamente porque, na teoria, essa deveria ser uma das ações mais naturais do processo. O artista é contratado, o evento é anunciado, o público precisa saber que ele estará lá. Porém, na prática, o que muitos contratantes relatam é uma resistência inesperada quando pedem algo tão básico quanto um story ou um vídeo convidando o público. Em muitos casos, o pedido gera até um certo desconforto, como se o contratante estivesse exigindo algo fora do combinado, mesmo quando isso poderia ajudar diretamente o próprio artista.


Na cena do mega funk, especialmente em cidades menores ou médias, isso acaba ficando ainda mais evidente. Muitos DJs e artistas contam com um público fiel nas redes sociais, mas nem sempre utilizam esse alcance para ajudar na divulgação dos eventos em que irão se apresentar. E vale deixar claro que não são todos — existem artistas extremamente profissionais que entendem o peso que a divulgação tem para o sucesso de uma noite. O problema é que ainda existe uma parcela que parece tratar essa parte como algo secundário.


Essa realidade não acontece apenas no mega funk. Outros gêneros musicais enfrentam exatamente a mesma situação. Muitos contratantes relatam que artistas de diferentes estilos, mesmo com grandes audiências online, simplesmente não divulgam os eventos ou fazem isso de maneira muito tímida. O curioso é que exemplos de boas práticas existem e são públicos. Um dos maiores nomes da música brasileira, Ivete Sangalo, por exemplo, é conhecida por divulgar constantemente os eventos em que vai se apresentar. Ela posta stories, compartilha links de ingressos, conversa com o público e reforça a presença nas apresentações, algo que ajuda diretamente na venda de entradas.


Quando artistas com décadas de carreira e uma agenda gigantesca fazem isso com naturalidade, fica difícil entender por que alguns nomes mais novos ainda resistem a algo tão simples. Afinal, hoje um story pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos e ajudar diretamente no resultado de um evento.


Outro ponto importante nessa discussão é o momento econômico que o mercado da música vem enfrentando. Produzir um evento hoje está longe de ser uma tarefa simples. Os custos aumentaram em praticamente todos os setores envolvidos na realização de uma festa ou show. Distribuidoras de bebidas estão mais caras, aluguéis de espaços e estruturas aumentaram consideravelmente e os custos operacionais cresceram de forma geral.


Além disso, muitos produtores relatam que o público não está comprando ingressos com a mesma facilidade de anos atrás. A economia mais apertada faz com que muitas pessoas pensem duas vezes antes de gastar com entretenimento, o que aumenta ainda mais a pressão sobre quem organiza eventos.


Dentro desse cenário, o peso dos cachês também entra na equação. Em alguns gêneros musicais, valores que chegam a 500 mil ou até 700 mil reais por apresentação se tornaram comuns. Isso faz com que o risco financeiro para o contratante seja enorme. Uma noite que não atinge o público esperado pode gerar prejuízos gigantescos.


Por isso, muitos produtores defendem que o relacionamento entre artista e contratante precisa ser visto de forma mais profissional e colaborativa. O contratante não é inimigo do artista. Pelo contrário, ele é uma peça fundamental para que os shows aconteçam, para que o público tenha acesso às apresentações e para que o próprio artista mantenha sua agenda ativa.


É claro que existem situações diferentes em cada negociação. Alguns artistas e equipes optam por cobrar valores adicionais para ações específicas de divulgação, como vídeos personalizados ou campanhas mais estruturadas. Isso faz parte do mercado e pode ser negociado entre as partes. Não existe necessariamente certo ou errado nesse tipo de acordo.


O ponto principal da discussão é que divulgar o evento em que você vai se apresentar deveria ser algo natural dentro da lógica da carreira artística. Afinal, quanto mais público estiver presente, melhor para o evento, para o contratante e também para o próprio artista.

Quando existe diálogo e entendimento entre os dois lados, o resultado tende a ser muito mais positivo. O artista entende o esforço e os riscos envolvidos na produção do evento, enquanto o contratante reconhece o valor e o trabalho do artista no palco. Essa relação de parceria é o que permite que agendas continuem girando e que eventos continuem acontecendo.


No cenário atual, onde tudo está mais caro e o mercado passa por um verdadeiro sufoco financeiro, essa cooperação se torna ainda mais importante. Quanto mais artistas e produtores conseguirem trabalhar em sintonia, maiores são as chances de manter o setor vivo, saudável e sustentável a longo prazo.


No fim das contas, divulgar um evento em que você vai se apresentar não deveria ser visto como um favor ou um peso extra. Em muitos casos, é simplesmente parte do jogo — e pode ser exatamente o detalhe que faz a diferença entre uma casa vazia e uma noite de sucesso.



 
 
 

Comentários


bottom of page