NOTÍCIA: Spotify começa a remunerar podcasters brasileiros por engajamento em vídeos
O Spotify vai começar a remunerar criadores brasileiros de podcasts pelo engajamento gerado por episódios em vídeo. A novidade faz parte da chegada do Spotify Partner Program (SPP) ao Brasil, prevista para 19 de outubro de 2026, em uma expansão que também alcançará mais de 35 novos mercados.
A mudança representa uma nova etapa na transformação dos podcasts em produtos cada vez mais voltados também ao formato audiovisual. Pelo programa, os criadores poderão receber valores relacionados ao consumo de vídeos por assinantes do Spotify Premium, além de continuar contando com receitas provenientes de anúncios e patrocínios negociados diretamente com marcas.
No modelo voltado aos usuários Premium, a remuneração considera o consumo dos episódios em vídeo. Como esses assinantes terão uma experiência sem os anúncios dinâmicos inseridos pelo Spotify, a plataforma utiliza uma fórmula própria para calcular a receita destinada aos criadores, levando em consideração fatores como o tempo de consumo qualificado, o mercado dos usuários e o número de assinantes que assistem aos conteúdos.
Para quem utiliza a versão gratuita da plataforma, os podcasts participantes continuam podendo gerar receita por meio de publicidade. De acordo com as regras do Spotify Partner Program, os criadores recebem 50% da participação nos lucros reconhecidos quando um anúncio monetizado pelo Spotify é reproduzido em seus episódios. Os produtores também podem manter integralmente os valores de patrocínios negociados diretamente com empresas.
A chegada do programa ao Brasil acontece justamente em um momento de forte crescimento dos videocasts. Segundo dados divulgados pelo Spotify à EXAME, a audiência mensal de podcasts em vídeo no país aumentou 60% no último ano, enquanto o formato já representa cerca de um terço das horas consumidas de podcasts na plataforma brasileira.
O avanço do vídeo também acompanha uma mudança no comportamento do público. O Spotify afirma que mais de 500 milhões de usuários já assistiram a podcasts em vídeo na plataforma em todo o mundo, enquanto o consumo desse formato continua ganhando espaço entre os ouvintes que passaram a alternar entre assistir e apenas escutar seus programas favoritos.
Para participar do Spotify Partner Program no Brasil, os criadores precisam cumprir alguns critérios. O podcast deve estar hospedado no Spotify for Creators ou no Megaphone, o responsável precisa ter endereço legal no país e o programa deve contar com pelo menos três episódios publicados. Também é necessário atingir, nos 30 dias anteriores à inscrição, pelo menos 2 mil horas de consumo e mil usuários de audiência no Spotify.
A plataforma reduziu esses requisitos ao longo de 2026, tornando o programa mais acessível a criadores. Antes, eram exigidos 12 episódios, 10 mil horas de consumo e 2 mil usuários engajados. A mudança faz parte da estratégia do Spotify para ampliar a participação de produtores independentes e transformar a plataforma em uma fonte mais relevante de receita para quem trabalha com podcasts.
O Brasil foi incluído na expansão depois de um período de testes e preparação do programa em outros mercados. Criado inicialmente em países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, o Spotify Partner Program passou por novas etapas de expansão e ajustes antes de chegar ao mercado brasileiro. A companhia afirma que o objetivo é oferecer aos criadores diferentes caminhos de monetização de acordo com a maneira como o público consome seus conteúdos.
Com a novidade, os podcasts brasileiros passam a ter mais um incentivo para investir na produção audiovisual. Além de ampliar as possibilidades comerciais, o modelo pode fortalecer a disputa por audiência em um cenário no qual o videocast já deixou de ser apenas uma extensão do podcast tradicional e passou a ocupar espaço próprio dentro do consumo de conteúdo digital.

.png)



Comentários