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AUTORAL: Por que continuar produzindo remix é o caminho mais rápido pra você se tornar um inútil descartável no mega funk

  • Foto do escritor: Mega Funk News
    Mega Funk News
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Dentro do mega funk, existe uma linha muito clara que separa quem constrói carreira de verdade de quem só está surfando uma fase passageira. E essa linha tem nome: autoral. Em um cenário onde grande parte dos artistas prefere o caminho mais fácil, vivendo de remix, edit e reaproveitamento de ideias alheias, a consequência é inevitável: perda total de identidade e um ciclo constante de descartabilidade. Hoje você pode até estar tocando, aparecendo, ganhando algum destaque, mas sem material próprio, você não é dono de nada — e quem não é dono de nada, não sustenta nada.


O problema é que muitos artistas confundem velocidade com construção. Acham que soltar remix atrás de remix, pegar trechos de outros sons e adaptar para pista é suficiente para crescer. E no curto prazo, até funciona. A pista responde, o público canta, os números sobem. Mas isso não significa que você é bom. Significa apenas que você está usando algo que já funcionava antes. Não existe mérito real em surfar em cima do trabalho dos outros sem criar nada relevante por conta própria.


Quando a gente olha para quem realmente construiu o mega funk, o padrão é outro. DJ Jonatas Felipe, considerado por muitos o rei do gênero, nunca dependeu de fórmula pronta. Sempre esteve à frente, criando, inovando, colocando sua identidade nos sons. Isso não aconteceu por acaso. É resultado direto de priorizar o autoral em um cenário onde nem sempre isso era o mais fácil.


O mesmo vale para MC Adr SC, um dos maiores nomes da história do gênero, que ao lado do seu parceiro DJ Fracari ajudou a construir um marco dentro da cena. Eles protagonizaram o que muitos consideram o primeiro clipe da história do mega funk, com “Tiro de Fall”, além de diversos outros trabalhos que reforçaram uma coisa básica:

identidade própria. Não foi remix que colocou eles no topo. Foi criação, consistência e visão.


Enquanto isso, a geração atual segue insistindo em um modelo frágil. Uma galera que muitas vezes nem sabe produzir de verdade, não entende estrutura de música, não desenvolve estilo, mas quer resultado rápido. E aí recorre ao caminho mais fácil: pegar o que já está pronto e adaptar. Só que isso tem limite. E mais cedo ou mais tarde, esse limite chega.


Esse comportamento, inclusive, já começa a gerar debate fora do próprio mega funk. Em outros gêneros, como o eletrofunk, existe uma organização maior quando se trata de autoria, direitos e lançamentos. Lá, a cultura do “pegar e soltar” sem autorização não é tão normalizada como ainda é em parte do mega funk. E essa diferença de postura pode custar caro. Não só em termos de credibilidade, mas também legalmente.


Porque no momento em que você começa a lançar música que não é sua, sem autorização, você está assumindo um risco real. Pode perder o som, pode tomar strike, pode responder judicialmente. E tudo isso por quê? Por não ter o básico: material próprio. Por não investir tempo em aprender, em criar, em desenvolver algo que seja seu de verdade.


O autoral muda completamente esse jogo. Quando você cria, você tem controle. Você pode distribuir, monetizar, negociar, crescer em cima daquilo que realmente te pertence. Você não depende de ninguém para manter sua carreira rodando. E mais do que isso: você constrói algo que ninguém pode copiar de forma legítima, porque tem a sua identidade ali.


A real é simples, mas muita gente não quer aceitar. Viver de remix pode até te dar palco hoje, mas dificilmente te dá legado amanhã. E dentro de um cenário cada vez mais competitivo, onde surgem novos nomes o tempo todo, ser só mais um não é suficiente. Se você não tem algo próprio, você é substituível. E rápido.


Por isso, a escolha é clara. Ou você entra para o grupo de artistas que realmente constroem algo sólido, ou aceita ser parte de uma geração que aparece e desaparece na mesma velocidade. Não existe meio termo. E se depender de remix para se manter, o destino já está praticamente definido.


No fim, não é sobre ser contra remix, mas sobre entender prioridade. Remix pode ser complemento. Nunca base. Quem construiu o mega funk entendeu isso lá atrás. Quem ignora isso hoje, está apenas repetindo um erro que, mais cedo ou mais tarde, cobra o preço.



 
 
 

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