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ABISMO: ABISMO: Porquê pessoas que não te conhecem costumam apoiar mais o seu trabalho do que as que te conhecem do começo

  • Foto do escritor: Mega Funk News
    Mega Funk News
  • 4 de fev.
  • 3 min de leitura

Existe um contraste silencioso que muita gente só percebe quando começa a crescer, produzir ou se expor de alguma forma. Quanto mais você avança, mais claro fica que o apoio nem sempre vem de onde você imaginava. Pessoas que não te conhecem, que nunca conviveram com você desde o início, passam a demonstrar mais interesse, engajamento e incentivo do que aquelas que acompanharam seus primeiros passos. Esse fenômeno não é acaso, nem ingratidão coletiva. Ele revela muito sobre relações humanas, interesses e a forma como valoramos o outro.


Grande parte das pessoas que está ao seu redor não se conecta necessariamente com quem você é, mas com o que você pode oferecer. Status, visibilidade, acesso, sensação de pertencimento ou até a vantagem de dizer que “faz parte” de algo que você construiu. Enquanto tudo flui bem, enquanto você está produzindo, crescendo ou gerando algum tipo de retorno simbólico ou material, essas presenças se mantêm firmes. Elas aparecem, interagem, elogiam e se colocam por perto. Não por maldade explícita, mas porque existe utilidade naquele vínculo.


O problema surge quando a situação aperta. Quando você falha, desacelera, enfrenta dificuldades emocionais, financeiras ou criativas. Nesse momento, a lógica muda. Se você não está mais oferecendo o que antes oferecia, muitas dessas pessoas simplesmente desaparecem. O apoio some, as mensagens cessam, o interesse evapora. Não porque você deixou de ter valor como pessoa, mas porque, naquele instante, você deixou de ser útil. A relação, que parecia amizade ou parceria, era sustentada por conveniência.


Em contrapartida, quem não tem proximidade carrega menos expectativas e menos interesses ocultos. Pessoas de fora não disputam espaço com você, não se comparam diretamente, não sentem que seu crescimento diminui o delas. Elas enxergam apenas o resultado, o esforço, a entrega. Por isso, costumam engajar mais, comentar, compartilhar, incentivar e até oferecer ajuda sem pedir nada em troca. O apoio vem da admiração, não da vantagem.


Quem te conhece desde o começo muitas vezes te associa à versão antiga de você. Às falhas, inseguranças e limites que você já superou. Isso cria um ruído interno difícil de admitir: aceitar que alguém próximo cresceu pode ser desconfortável, porque obriga o outro a encarar a própria estagnação. Já quem não te conhece não carrega esse histórico. Eles te veem pelo que você é agora, não pelo que você foi.


Nas redes sociais isso fica ainda mais evidente. Curtidas, comentários, mensagens de incentivo e até oportunidades costumam vir de perfis desconhecidos, de gente que nunca sentou à sua mesa ou conviveu com sua rotina. São essas pessoas que validam seu trabalho de forma mais genuína, porque não esperam retorno direto, favor ou benefício. Elas se conectam com a ideia, com a entrega, com a coragem de se expor.


Esse abismo não significa que todas as pessoas próximas agem por interesse, nem que todo apoio distante é puro. Mas mostra uma tendência real: relações baseadas em utilidade são frágeis, enquanto conexões baseadas em admiração sobrevivem até nos momentos difíceis. Entender isso evita frustrações e ajuda a colocar expectativas no lugar certo.


Quando você aceita que nem todo mundo que caminha ao seu lado está ali por você, mas pelo que você oferece, a decepção perde força. E quando reconhece o valor de quem apoia sem proximidade, aprende a respeitar mais esse tipo de incentivo. Crescer também é aprender a identificar quem fica quando não há palco, vantagem ou holofote. É nesse silêncio que o apoio verdadeiro costuma aparecer.



 
 
 

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